
Quando o passado e o presente colidem sem a ânsia barata da nostalgia, o resultado pode ser arrebatador. É exatamente isso que acontece em Beautiful ‘n Damned (2026), o álbum colaborativo entre Zinny Zan e Cody — dois veteranos indeléveis da lendária cena de culto que nos deu os Shotgun Messiah. Colocar este disco a tocar exigia coragem e respeito por uma herança musical intocável, mas o que emerge dos altifalantes é a prova viva de que a chama criativa nunca chegou a extinguir-se.
Avaliação: Zan/Cody – Beautiful ‘n Damned (2026)
A Química Natural de Duas Lendas
Longe de ser uma tentativa forçada de recriar os anos 80, este álbum soa como a evolução lógica de dois músicos que cresceram separadamente e se reencontraram com maturidade. A voz de Zinny Zan mantém aquela garra inconfundível, polida agora pela experiência, enquanto a guitarra de Cody equilibra a precisão dos riffs com um respeito absoluto pelas canções — os solos servem a música, nunca o ego.
Paisagens Sonoras: Do Gótico ao Sleaze Distópico
O que surpreende em Beautiful ‘n Damned é a sua paleta sonora diversificada. Longe de ser apenas um disco de hard rock linear, o álbum absorve influências industriais, texturas góticas e até um toque soturno que evoca uma espécie de Shotgun Messiah distópico.
"Sever": Uma abertura corajosa, com uma aura sombria, industrial e ecos de Sisters of Mercy.
"I Am The Shit": O melhor título do ano e uma injeção pura de energia contagiante que nos transporta instantaneamente para a melhor era do rock de estádio.
"Ride Or Die": Um verdadeiro "raio numa garrafa", cuja dinâmica lembra o salto evolutivo que os The Cult deram entre Love e Electric.
"She Walks With Violence": Uma aula de atmosfera, combinando lamentos de blues com batidas techno e texturas góticas contidas.
"Beautiful 'N Damned": A faixa-título brilha com uma produção primorosa, reluzente e sombria.
Mapeamento da Escuta
A Produção e a Alma do Disco
A produção de Beautiful ‘n Damned merece destaque absoluto. Tudo soa quente, orgânico e musculado. As guitarras têm um peso real e a secção rítmica empurra cada faixa sem sufocar o timbre característico de Zan. Não há aqui a sensação de um "projeto de gaveta" ou de um exercício de nostalgia fácil; há, sim, o som de dois artistas genuinamente felizes por estarem a criar música juntos novamente.
"Beautiful ‘n Damned não é apenas um tributo ao passado brilhante dos seus intervenientes; é um álbum de hard rock forte, coeso e surpreendentemente moderno que se aguenta perfeitamente por seus próprios méritos."
O Veredito Final
Beautiful ‘n Damned é, sem dúvida, um dos lançamentos mais fortes e gratificantes do ano. Ele prova que a maturidade artística, quando aliada à atitude certa, pode resultar em obras que superam as expectativas mais ambiciosas. Se esta união for a faísca para um reencontro definitivo, ótimo; se for apenas isto, já é um verdadeiro tesouro para qualquer fã de rock autêntico.
Nota: 9.3/10
Destaques: "Ride Or Die", "I Am The Shit", "Beautiful 'N Damned".
Recomendado para: Fãs de Shotgun Messiah, The Cult, Sisters of Mercy e apreciadores de hard rock com atitude, ganchos marcantes e alma.
amazon Zan/Cody - Beautiful ‘n Damned
Temas:
1. Sever
2. I Am The Shit
3. Ride Or Die
4. Suffer City
5. She Walks With Violence
6. Damn
7. Let’s Be Heroes
8. Beautiful ‘N Damned
9. Bad Bad Man
10. Tear It All Down
Banda:
Zinny Zan – Vocals
Harry Cody – Guitars
Sem comentários:
Enviar um comentário