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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Alkateya - Lycanthropy (2006) Portugal



Muitos anos depois daquilo que seria justo, aqui está o primeiro longa-duração a sério para a lenda Alkateya, editado por uma obscura editora grega – um sinal dos tempos em que vivemos. «Lycantrophy» exibe uma nova banda que terá crescido em todos estes anos, quer colectiva, quer individualmente, mas felizmente essa maturidade nunca põe em causa o carácter muito espontâneo do álbum. Ao longo de todo o disco, nota-se bem que a maior referência da banda é Judas Priest, começando logo com os solos muito bons e aquela melodia fatal da guitarra na abertura «Believe My Eyes». Um tributo que volta a estar mais vincado na possante balada «Feeling», onde se destaca o trabalho do baixista Paulo Rui, mais um excelente solo de guitarra e a saudosa narração do António “Lança-Chamas” Sérgio. «Let It Break» tem um refrão inspirador para a revolução mais do que necessária e um final pleno de energia. Completam o CD o instrumental metálico «Red Line» e «Death Messiah», sendo a música mais pesada – talvez – «The Sinless Sinner», cuja secção robusta a seguir ao solo obriga ao headbanging. O disco já seria bastante bom mas o melhor está mesmo reservado para o final. «Street Survivor(s)», um dos melhores temas dos Sepulcro tem aqui uma nova versão, muito fiel ao original, mas os Alkateya foram mais longe e acrescentaram um novo capítulo à música, numa tocante passagem de testemunho – a parte final do tema é uma coisa absolutamente fabulosa. Destaca-se também a participação neste tema de várias vozes ilustres a acompanhar João Pinto, casos do ex-Rebellion Nelson Canário (que participa em mais três canções), de Tann (Ironsword), Miguel Pinto (ex-Sepulcro) e Fernando Ribeiro (Moonspell) – num toque a reunir da cena Heavy Metal nacional em que todos são, de facto, “Street Survivors”. Como se isso não bastasse, o tema título que fecha o disco é um violento estouro (depois de uma introdução ao teclado) no tema mais directo que é um verdadeiro hino ao Heavy Metal vociferado aos 4 ventos, com um final perfeito em comunhão alcateica muito na onda Manowar. Gostava de acreditar que «Lycantrophy» (um dos melhores discos do Heavy Metal nacional) vai catapultar a banda para o reconhecimento que lhe é devido há muitos anos mas todos sabemos que as hipóteses de isso acontecer são extremamente reduzidas – um pouco à imagem do último disco dos Ironsword que continua a ser um segredo muito bem guardado, apesar de ter recebido os maiores elogios da crítica (esta sim!) especializada. Por outro lado, não deixa de ser curioso este anonimato que persegue o grupo, fazendo de todos os que têm o orgulho de viver com esta obra, à sua maneira, uma alcateia de lobos unidos por uma causa comum. É precisamente isso que sentimos em Lycantrophy» – somos todos Alkateya: “Hear them howl, they’re standing tall, crushing your back to the wall!!!”.