quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Stormzone - Immortal Beloved (2026) UK

O oitavo álbum de estúdio dos norte-irlandeses Stormzone, intitulado Immortal Beloved, chegou em janeiro de 2026 marcando um retorno às origens — literalmente, já que a banda voltou a assinar com a editora Escape Music, a mesma que lançou a sua estreia há quase duas décadas.

Este é um disco de contrastes: começa com uma energia avassaladora, mas acaba por lutar contra a própria extensão.

O Regresso com Sangue Novo

Após uma pausa e mudanças significativas na formação, apenas o vocalista John "Harv" Harbinson e o guitarrista David Shields permanecem da formação original. A entrada de Shaun Nelson-Frame (que também produziu e misturou o disco) nas guitarras, juntamente com a secção rítmica dos irmãos Uhrin, trouxe um som mais robusto e "cheio", típico do Heavy Metal clássico britânico com nuances de Power Metal.

Sonoridade: Um Início de "Tirar o Fôlego"

O álbum começa de forma brilhante.

  • "Steel Meets Ice" e "Tyrannosaur": São descritas como faixas de ritmo acelerado e produção poderosa. Harbinson continua a mostrar que a sua voz é uma das mais fiáveis do género, entregando linhas vocais sólidas sobre uma muralha de som moderna.

O Desafio da Consistência

Onde o álbum parece "perder o gás" é na sua longevidade. Com 13 faixas, a análise aponta que o disco se torna um pouco unidimensional a partir da faixa-título.

  • Falta de Variedade: A crítica nota que, após o início explosivo, a banda cai num ritmo repetitivo. Embora faixas como "Stand In Line" tragam de volta o fulgor, o resto do álbum é visto como "mais do mesmo", faltando aquela faísca de inovação ou mudança de dinâmica que elevaria o Stormzone à "primeira divisão" do metal mundial.

  • Produção Impecável: Um ponto consensual é a qualidade sonora. Shaun Nelson-Frame fez um excelente trabalho na mistura, garantindo que o disco soe atual, pesado e nítido.

A Arte de Rodney Matthews

É impossível falar de Immortal Beloved sem mencionar a capa. Criada pelo lendário Rodney Matthews (Magnum, Diamond Head), a arte é descrita como um dos grandes atrativos do lançamento, especialmente para quem optar pela versão em vinil, capturando a essência mística e épica da banda.

O Veredito

Immortal Beloved é um passo em frente em relação ao anterior Ignite The Machine, mostrando uma banda mais coesa e com melhor produção. No entanto, peca pelo excesso de bagagem; se tivesse sido editado para 9 ou 10 faixas, seria um clássico instantâneo. Para os fãs de NWOBHM e Metal Melódico clássico (estilo Saxon ou Riot), continua a ser uma audição obrigatória, mesmo com os seus momentos de "piloto automático".

Nota: 7/10.

Destaques: "Steel Meets Ice", "Tyrannosaur", "Stand In Line". 

Recomendado para: Puristas do Heavy Metal britânico que valorizam produção cristalina e vozes melódicas potentes.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Death Dealer - Reign Of Steel (2026) USA

O regresso dos Death Dealer em 2026 com "Reign Of Steel" é exatamente o que se espera de um supergrupo composto por veteranos do Metal: um ataque frontal de Power e Speed Metal que não pede desculpa por ser barulhento, épico e tecnicamente avassalador.

O Supergrupo do Aço

Liderados pela voz estratosférica de Sean Peck (Cage, The Three Tremors) e pelas guitarras lendárias de Ross the Boss (ex-Manowar) e Stu Marshall (Night Legion), os Death Dealer mantêm a sua missão de preservar a chama do Heavy Metal tradicional. A adição de Mike LePond (Symphony X) no baixo e Steve Bollinee na bateria eleva a secção rítmica a um nível de precisão cirúrgica.

Sonoridade: Uma Parede de Som Implacável

O álbum é uma evolução natural de Conquered Lands, mas com uma produção que favorece ainda mais a agressividade das guitarras.

  • Vocal de Sean Peck: O homem continua a ser um fenómeno. Os seus agudos cortantes e a sua capacidade de alternar entre rosnados graves e gritos de "partir o vidro" são o motor dramático do disco.

  • Duelos de Guitarras: A química entre Ross e Stu é o ponto alto. Enquanto Ross traz o feeling e o peso do metal clássico, Stu injeta uma velocidade e tecnicismo modernos que tornam os solos de Reign Of Steel autênticos duelos de gladiadores.

Destaques das Faixas 

  • "The Heretic": Uma abertura furiosa que estabelece o tom do álbum. Velocidade pura e um refrão que fica gravado na memória logo à primeira audição.

  • "Vengeance Is Mine": Uma faixa que remete aos melhores tempos de Manowar, mas com uma dose extra de adrenalina. O trabalho de baixo de Mike LePond aqui é fenomenal.

  • "Steel Against Steel": O hino definitivo do álbum. É Power Metal de arena, feito para ser cantado a plenos pulmões, com uma cadência épica que prepara o ouvinte para a batalha.

  • "Wings of Fury": Destaca-se pela complexidade rítmica e pelas mudanças de tempo, mostrando que a banda não tem medo de flertar com o metal mais técnico.

O Veredito Final

Reign Of Steel não tenta reinventar o género; ele tenta dominá-lo. É um álbum feito para quem acha que o metal atual se tornou demasiado "limpo" ou moderado. Para o mim, este é um disco que "exala fumo e óleo de motor", mantendo a integridade do género intocada.

Embora o estilo vocal de Sean Peck possa ser intenso para ouvidos menos habituados ao Power Metal extremo, a qualidade instrumental é inquestionável. É, sem dúvida, um dos lançamentos de Heavy Metal mais sólidos de 2026.

Nota: 8.8/10 

Destaques: "The Heretic", "Steel Against Steel", "Vengeance Is Mine". 

Recomendado para: Fãs de Manowar, Judas Priest, Cage e qualquer pessoa que acredite que o Heavy Metal deve ser tocado a 11.


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Helix - Scrap Metal (2026) Canadá

O álbum "Scrap Metal", lançado em 23 de janeiro de 2026 pela Perris Records, marca o 15.º capítulo de estúdio (e o 14.º lançamento pela editora) dos veteranos canadianos Helix. Liderados pelo incansável Brian Vollmer, o único membro original remanescente aos 70 anos de idade, este disco é uma celebração da resiliência e da fidelidade ao Hard Rock dos anos 80.

Origem e Conceito: O "Metal Reciclado"

O título Scrap Metal não é por acaso. De acordo com Brian Vollmer, o projeto começou como uma ideia tardia: "Durante os anos 80, os Helix escreveram várias canções muito boas que nunca foram lançadas. Decidi terminá-las".

O álbum é composto por 12 faixas, combinando cinco temas inéditos (incluindo composições resgatadas dos anos 80) com cinco canções que já tinham aparecido em lançamentos menores ou raridades (como Old School, half-ALIVE e B-Sides).

Sonoridade: "Stuck in the 80s"

O álbum assume sem vergonha a sua identidade. O tema de abertura e primeiro single, "Stuck In The 80's" (com a participação de Sean Kelly na guitarra), serve como o manifesto do disco: rock de potência sem floreados, direto e fiel às raízes da banda.

  • Produção: A cargo de Aaron Murray e do baixista Daryl Gray, a produção consegue manter o equilíbrio entre um som atual e a energia "old school".

  • Vocal: Aos 70 anos, Vollmer é elogiado por ainda ser uma "força atrás do microfone", mantendo a crueza e o poder que definiram clássicos como "Rock You".

  • Guitarras: O disco conta com o "ataque de guitarras" de Mark Chichkan e Chris Julke, além de participações especiais dos ex-guitarristas Kaleb Duck e Brent "The Doctor" Doerner.

Destaques das Faixas

  • "Fast & Furious": Uma música que coloca a banda em "overdrive", sendo um dos momentos mais energéticos do disco.

  • "Pretty Poison": Outro destaque de Hard Rock clássico que mantém a coesão sonora.

  • "Coming Back With Bigger Guns": Mostra o lado mais agressivo e persistente do grupo.

Pontos Menos Positivos

A crítica aponta que a consistência do álbum diminui na reta final. As duas últimas faixas, "The Same Room" e "The Pusher", são descritas como "aborrecidas" e sem a mesma chama das anteriores, o que retira algum impacto ao encerramento do disco.

O Veredito

Scrap Metal não tenta ser moderno nem "hip". É um álbum honesto, feito por uma banda que ama o que faz após 50 anos de carreira. Embora não vá atingir as vendas de clássicos como No Rest For The Wicked, é um testemunho da "atitude de nunca desistir" de Brian Vollmer.

Para quem procura o espírito do Hard Rock canadiano dos anos 80 com uma execução técnica ainda muito sólida, este é um lançamento essencial de 2026.

Nota Sugerida: 7.5/10 (Equilibrando o entusiasmo pela longevidade com a quebra de ritmo final).


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Edenbridge - Set The Dark On Fire (2026) Áustria

O álbum "Set The Dark On Fire" é descrito como um dos pontos mais altos da longa carreira dos austríacos Edenbridge.

O Veredito 

A crítica destaca que este 12.º álbum de estúdio marca o regresso da banda à editora Steamhammer/SPV com uma confiança renovada. Embora a banda mantenha a sua essência melódica, este é possivelmente o seu trabalho mais pesado e dinâmico até à data.

Destaques da Crítica:

  • Abertura Impactante: A faixa "The Ghostship Diaries" é elogiada pelo seu ritmo acelerado e coros potentes, servindo como uma introdução perfeita que "levanta as cortinas em grande estilo".

  • A Dualidade do Som: O crítico nota que faixas como "Cosmic Embrace" são simultaneamente "perturbadoras e celestialmente revigorantes", mostrando o lado mais gótico e denso que a banda explorou neste disco.

  • O Épico Central: Um dos maiores elogios vai para a música "Spark of the Everflame". Com quase 14 minutos de duração, é descrita como uma peça épica em quatro partes que define verdadeiramente o "Sinfónico" no Metal Sinfónico. Classificada como "simplesmente deslumbrante", alternando entre momentos de beleza orquestral e passagens de uma obscuridade angustiante.

  • Influências Orientais: Faixas como "Divine Dawn Reveal" e "Lighthouse" são mencionadas pela sua atmosfera do Médio Oriente, utilizando instrumentos como a sitar elétrica e o dulcimer para criar uma sonoridade rica e exótica.

Performance Técnica:

  • Sabine Edelsbacher: A sua voz é comparada a um "farol num porto seguro", guiando toda a complexidade instrumental com clareza e calor.

  • Lanvall: O mentor da banda é louvado não só pela composição, mas pela capacidade de integrar orquestrações opulentas sem nunca saturar o som ou abafar as guitarras.

Conclusão:

Os Edenbridge "descobriram a fórmula vencedora" e este álbum confirma o seu lugar na "mesa principal" do género. A avaliação conclui que "Set The Dark On Fire" consegue reacender a paixão pelo Metal Sinfónico num momento em que o género poderia parecer estagnado, oferecendo profundidade e amplitude em cada canto.

Veredito: Altamente recomendado para fãs que procuram Metal Sinfónico com substância, técnica e emoção.


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N.Y.C. - Built To Destroy (2025) USA

O álbum "Built To Destroy" da banda N.Y.C. é descrito como um trabalho sólido de Heavy Metal que brilha especialmente quando aposta na agressividade direta.

Sonoridade e Estilo

O crítico destaca que a sonoridade do N.Y.C. — que conta com veteranos como Tommy Bolan (ex-Warlock), Stet Howland (W.A.S.P., Metal Church) e Steve Unger (Metal Church) — é uma mistura interessante. A revista identifica influências do lado mais sombrio de Type O Negative combinadas com um trabalho de guitarras e riffs que remetem fortemente a Black Label Society.

Pontos Altos e Baixos

  • A Força do Direto: A avaliação enfatiza que o N.Y.C. mostra a sua verdadeira classe e experiência quando toca de forma "alta e direta". É nesses momentos que o álbum causa o maior impacto.

  • Momentos de Hesitação: O crítico menciona que algumas faixas no meio do disco perdem um pouco da intensidade inicial. Por exemplo, em "United", as harmonias vocais são vistas como algo que retira a agressividade que as primeiras músicas estabeleceram. Algumas faixas subsequentes foram descritas como "corretas", mas carentes das estruturas convincentes que marcaram o início.

  • A Recuperação: O álbum "redime-se" a partir da faixa "Full Tilt", recuperando o fôlego e terminando de forma muito positiva.

Análise das Faixas

  • "Let’s Roll (40 Brave)": Destacada como uma música "esmagadora" e de grande qualidade.

  • "Gasoline": Descrita como tendo uma atmosfera de Southern Rock Power Ballad, transmitindo uma mensagem muito forte através da música.

  • "Built To Destroy" (Faixa-Título): Considerada a escolha perfeita para encerrar o disco, deixando uma impressão final impressionante e poderosa.

Veredito

A conclusão é que, embora o álbum tenha algumas oscilações rítmicas e de intensidade a meio, a experiência e o talento dos músicos envolvidos garantem um resultado final de alta qualidade. O disco termina "em alta", reafirmando o N.Y.C. como uma força respeitável no Heavy Metal contemporâneo.

Nota: 8/10.


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