sábado, 14 de fevereiro de 2026

Austen Starr - I Am The Enemy (2026) USA

Lançado a 13 de fevereiro de 2026 (ontem!), o álbum de estreia da bostoniana Austen Starr, intitulado I Am The Enemy, é uma daquelas surpresas que a Frontiers Music Srl adora lançar: uma artista nova com uma voz poderosa, apoiada por um autêntico "esquadrão de elite" do rock melódico.

O "Dream Team" nos Bastidores

O que salta logo à vista (e ao ouvido) é a qualidade técnica. Austen Starr não está sozinha: o álbum foi coescrito e gravado com Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO) nas guitarras, Chris Collier (Mick Mars) no baixo e bateria, e Steve Ferlazzo nas teclas. O resultado é um som polido, mas com "garra".

A Sonoridade: Entre o Pop-Punk e o Hard Rock

Austen Starr descreve-se como um "desastre ansioso", e essa honestidade transpira nas letras. Musicalmente, o álbum é um híbrido interessante:

  • Influências Modernas: Há ecos de The Warning, Halestorm e até uma pitada de Paramore na atitude.

  • Coração AOR: Graças a Hoekstra, as melodias são o prato principal. Há solos de guitarra que elevam as canções para além do rock de rádio convencional.

Destaques das Faixas

  • "I Am The Enemy" (Faixa-Título): É o momento mais "pop" e viciante do disco. Tem um refrão que fica colado à cabeça e explora a dicotomia interna da artista entre o medo e o desejo de ser uma estrela de rock.

  • "Read Your Mind": Uma das composições mais fortes, escrita em colaboração com Joel Hoekstra. Mostra o lado mais melódico e trabalhado da banda de suporte.

  • "Medusa": Uma canção que Austen escreveu quando era mais jovem e que serviu de "isca" para assinar com a editora. Tem uma energia crua e uma performance vocal cheia de personalidade.

  • "Remain Unseen": Mais pesada e sombria, com uma letra inspirada numa versão "adulta e sinistra" de Alice no País das Maravilhas. É aqui que vemos o potencial da Austen para o Metal Moderno.

O Veredito Final

I Am The Enemy é uma estreia sólida que tenta equilibrar dois mundos. Para os puristas do Hard Rock, pode soar por vezes "demasiado pop", mas para quem procura um Rock fresco, emocional e com excelentes solos de guitarra, é um dos discos mais divertidos de fevereiro de 2026.

A voz de Austen tem textura e alma, e a produção de Chris Collier garante que o disco soe "enorme". Não é apenas mais um lançamento de uma "nova cara"; é o início de uma carreira que promete muito.

Nota: 8/10

Destaques: "I Am The Enemy", "Read Your Mind", "Medusa".

Recomendado para: Fãs de Halestorm, The Pretty Reckless, Avril Lavigne (fase rock) e quem gosta do virtuosismo de Joel Hoekstra.


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Temple Balls - Temple Balls (2026) Finlândia

Lançado precisamente hoje, 13 de fevereiro de 2026 (com algumas edições a chegar às lojas a dia 20), o quinto álbum dos finlandeses Temple Balls é, acima de tudo, uma afirmação de identidade. Ao escolherem o nome da banda para o título, o quinteto sinaliza que este é o som definitivo que andaram a perseguir desde a sua estreia em 2017.

Aqui está a análise deste lançamento que promete ser um dos pilares do Hard Rock melódico deste ano:

O Som: A "Acidez" do Norte com Produção de Arena

Produzido mais uma vez por Jona Tee (dos suecos H.E.A.T), o álbum mantém o ADN da banda — riffs carnudos, ritmos galopantes e refrões gigantes — mas com um polimento que o torna o seu trabalho mais ambicioso até à data.

A banda descreve a sua música como tendo um toque "agridoce ou ácido" devido à melancolia inerente ao Norte, mas o que ouvimos aqui é pura energia solar. É Hard Rock clássico, mas com uma musculatura moderna que evita que soe meramente nostálgico.

O Peso Emocional: Um Tributo a Niko Vuorela

Um detalhe que a crítica especializada (como a Tuonela Magazine) tem destacado é o facto de este ser um álbum carregado de emoção. Este trabalho serve como um tributo poderoso ao guitarrista Niko Vuorela, que faleceu recentemente. Ouvir as suas guitarras gravadas nestas faixas dá ao disco uma profundidade que transcende o habitual "party rock". Cada solo parece uma despedida em grande estilo.

Destaques das Faixas

  • "Flashback Dynamite": O nome não mente. É uma abertura explosiva, direta ao assunto, que estabelece o ritmo de "pé no fundo" que domina grande parte do disco.

  • "Tokyo Love": O single que já conquistou as rádios de rock. Com um riff viciante que o baixista Jimi Välikangas compôs enquanto conduzia, a música captura a essência da banda: melodias oitentistas com uma atitude punk/sleaze.

  • "Soul Survivor": Uma faixa mais densa e pesada, onde a voz de Arde Teronen brilha intensamente, provando ser um dos vocalistas mais versáteis da cena atual.

  • "Stronger Than Fire": Uma das favoritas da crítica, com um refrão que pede para ser cantado em arenas. É o tipo de música que justifica as aberturas que fizeram para os Queen e Deep Purple.

  • "Living In A Nightmare": O encerramento do álbum, que não deixa a energia cair, fechando o disco com um duelo de guitarras fenomenal entre Jiri Paavonaho e Niko Vuorela.

O Veredito Final

Temple Balls (o álbum) é uma "tour de force" de Hard Rock. A banda conseguiu refinar o som de Avalanche (2023) e transformá-lo em algo maior e mais coeso. É um disco que não tem "enchimentos" (fillers); cada uma das 11 faixas tem potencial para ser um single.

A produção de Jona Tee traz aquele brilho característico do rock escandinavo contemporâneo, mas os Temple Balls mantêm uma dose de "sujidade" e "garra" que os impede de soarem demasiado genéricos. É, sem dúvida, o melhor álbum da carreira da banda.

Nota: 9.3/10

Destaques: "Tokyo Love", "Soul Survivor", "Stronger Than Fire", "Flashback Dynamite". Recomendado para: Fãs de H.E.A.T, Skid Row, Eclipse, Hardcore Superstar e qualquer pessoa que procure rock de alta voltagem para ouvir no volume máximo.


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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Induction - Love Kills (2026) Alemanha

O terceiro álbum de estúdio dos alemães Induction, intitulado Love Kills!, foi lançado a 6 de fevereiro de 2026 pela Reigning Phoenix Music. O disco é avaliado como um trabalho sólido de metal melódico que, embora não reinvente a roda, oferece uma dose de energia imediata e cativante.

Nova Formação, Mesma Ambição

Liderados por Tim Kanoa Hansen (filho do lendário Kai Hansen), os Induction chegam ao seu terceiro álbum com uma formação profundamente renovada. O disco marca a estreia de três novos membros: Markus Felber, Justus Sahlmann e Gabriele Gozzi. Esta mudança parece ter injetado uma nova dinâmica na banda, que procura subir de nível no panorama do metal europeu.

Sonoridade: Mais Sintetizadores e Melodias "Doces"

A grande marca de Love Kills! é o reforço dos elementos eletrónicos e sintetizadores, que ganham mais destaque do que nos lançamentos anteriores.

  • O Lado Melódico: Canções como "Virtual Insanity" (a abertura) e "Dark Temptation" mostram este novo foco, com camadas de sintetizadores que criam uma fundação sonora polida e, por vezes, descrita como "açucarada".

  • Equilíbrio com o Peso: Para evitar que o som se torne demasiado suave, a banda equilibra a balança com hinos de metal robustos, garantindo que a essência do Power/Melodic Metal se mantém intacta.

Destaques das Faixas

  • "Steel and Thunder": Um dos momentos mais pesados do álbum. É um verdadeiro "headbanger" com um ritmo acelerado e um refrão viciante que compensa o início mais atmosférico do disco.

  • "Gods of Steel": Considerada um dos grandes destaques. Começa com uma linha de baixo pulsante e evolui para uma composição dramática e épica, com uma progressão atmosférica que agarra o ouvinte.

  • "I Am Evil": Uma faixa focada em ganchos melódicos (hooks) onde os teclados fazem mais do que apenas preencher o fundo, conduzindo a música com densidade.

O Veredito

Os Induction seguem uma "fórmula testada e comprovada". O álbum é comparado ao açúcar: fornece energia instantânea e capta a atenção desde a primeira audição, mas talvez não ofereça uma jornada de exploração sonora profunda ou duradoura para quem procura inovação radical no género.

É um disco direto, extremamente bem produzido e focado em melodias acessíveis combinadas com o virtuosismo das guitarras de Hansen.

Nota: 7/10

Destaques: "Steel and Thunder", "Gods of Steel", "Virtual Insanity". 

Recomendado para: Fãs de Helloween, Beast in Black, Stratovarius e ouvintes que apreciam Metal Melódico moderno com fortes influências de sintetizadores.

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Tailgunner - Midnight Blitz (2026) UK

O segundo álbum dos britânicos Tailgunner, intitulado Midnight Blitz, foi lançado em fevereiro de 2026 e consolidou a banda como a grande força motriz da New Wave of Traditional Heavy Metal (NWOTHM) no Reino Unido. Produzido pela lenda K.K. Downing (ex-Judas Priest), o disco é uma celebração pura e sem remorsos do heavy metal clássico.

O Som: Metal Britânico de "Sangue Azul"

Os Tailgunner não tentam reinventar a roda; eles tentam fazê-la girar o mais rápido possível. O som é uma mistura explosiva de Iron Maiden (era Killers e Number of the Beast), Judas Priest e o Speed Metal melódico dos Helloween. A produção de K.K. Downing conferiu ao álbum uma crueza autêntica, fugindo das produções digitais excessivamente polidas que dominam o género hoje em dia.

  • Craig Cairns (Vocais): Descrito como o coração da banda, Cairns entrega uma performance vocal poderosa, com agudos que lembram os melhores momentos de Bruce Dickinson e Rob Halford.

  • Ataque de Guitarras Gémeas: A química entre Zach Salvini e a nova recruta Rhea Thompson é o ponto alto instrumental, com harmonias rápidas e solos que "rasgam" as colunas.

Destaques das Faixas

  • "Midnight Blitz": A faixa de abertura começa com uma sirene de ataque aéreo e estabelece o tom do álbum. É metal "pé no fundo", galopante e desenhado para ser um hino de concertos.

  • "Tears In Rain": Uma faixa que diminui ligeiramente o ritmo, mas mantém a intensidade melódica. O crítico destaca que, embora soe familiar, a execução é tão perfeita que se torna reconfortante.

  • "Follow Me In Death": Destaca a bateria de Eddie Mariotti, que soa como "fogo de artilharia", impulsionando o ataque das guitarras.

  • "War In Heaven": O momento mais surpreendente do disco. É uma power ballad épica que introduz sintetizadores tocados por Adam Wakeman (Ozzy Osbourne, Black Sabbath). Mostra uma versatilidade que a banda não havia explorado no álbum de estreia.

  • "Eulogy": O encerramento monumental que soa como uma versão mais contida (mas ainda épica) de DragonForce, fechando o álbum com classe.

O Veredito Final

Para mim, este não é um exercício de nostalgia ou ironia; é o "negócio real". A crítica enfatiza que, enquanto os deuses do metal originais se aproximam da reforma, bandas como os Tailgunner são essenciais para manter o género vivo e relevante.

O álbum é descrito como "brilhante", "vivido" e "tocado como se a vida deles dependesse disso". Se o primeiro álbum foi o cartão de visita, Midnight Blitz é a conquista definitiva.

Nota Sugerida: Aproximadamente 9/10

Destaques: "Midnight Blitz", "War In Heaven", "Barren Lands And Seas Of Red". Recomendado para: Fãs de Iron Maiden, Judas Priest, Enforcer e qualquer pessoa que acredite que o Heavy Metal deve ser tocado com "punhos no ar".


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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Soen - Reliance (2026) Suécia

A crítica atribui ao álbum "Reliance" dos Soen uma nota quase perfeita de 9.5/10, classificando-o como possivelmente o melhor trabalho da banda e um dos melhores discos de metal de 2026.

Veredito: 9.5/10 

A análise começa por sublinhar o peso filosófico do álbum. Thorley observa que, em 2026, nunca estivemos tão conectados tecnologicamente e, ao mesmo tempo, tão isolados, um tema que os Soen exploram com mestria. O disco é descrito como "provocador" e "profundamente instigante".

Análise das Faixas:

  • "Primal": A abertura é descrita como sombria, pesada e "eerie" (inquietante). A interpretação de Joel Ekelöf em frases como "we are breaking every chain" soa mais como uma "insistência desesperada" do que como um simples grito de guerra.

  • "Mercenary": Destaca-se pelo seu ritmo militarista, rígido e imponente, interrompido por um solo de guitarra massivo que surge de forma inesperada.

  • "Discordia": Comparo a desolação desta faixa ao som dos Katatonia, mas nota que os Soen elevam a composição a algo muito maior e mais imprevisível.

  • "Axis" e "Huntress": Estas faixas mostram uma versão mais direta e "afiada" da banda, afastando-se um pouco da indulgência progressiva habitual. "Huntress" é elogiada pela dinâmica quiet-verse/loud-chorus e pelos solos prontos para estádios.

  • "Unbound": Descrita como puro groove, uma música física e impossível de ignorar.

  • "Indifferent": É considerada a grande surpresa do álbum. Uma balada de piano "corajosa e devastadora" que expõe o medo do vazio emocional, contrastando com o peso do resto do disco.

  • "Drifter" e "Draconian": Thorley elogia o uso inteligente das teclas em "Drifter" e a capacidade de "Draconian" em criar melodias cativantes que, ainda assim, imploram por conexão humana em vez de conforto fácil.

  • "Vellichor" (Encerramento): Uma conclusão que habita nas sombras, sem resoluções fáceis, o que o crítico considera o final perfeito para um álbum tão complexo.

Conclusão:

Os Soen atingiram o seu auge criativo com este sétimo álbum. A produção e a entrega emocional fazem de "Reliance" uma obra que "se recusa a dar respostas fáceis" e que obriga o ouvinte a confrontar a sua própria mente.

Destaque final: "O sétimo álbum deles não é apenas o melhor deles, pode ser um dos melhores discos de metal que ouvirão este ano."

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