
Cinco anos após o introspectivo Hermitage, os Moonspell regressam com Far From God (2026), um álbum que não só marca um retorno às raízes góticas da banda, como reconfigura o seu ADN para uma era mais madura e sofisticada. Longe de ser um exercício de nostalgia fácil, este novo trabalho é uma colisão entre o romantismo sombrio do "gótico vintage" e a agressividade metálica que sempre foi a espinha dorsal dos portugueses.
Avaliação: Moonspell – Far From God (2026)
A Escuridão como Atmosfera, o Metal como Força
O que separa Far From God de outras incursões pelo Rock Gótico é a recusa da banda em suavizar as arestas. Enquanto nomes como HIM ou Sentenced (numa fase posterior) caminharam para um som mais comercial e polido, os Moonspell mantêm a faca entre os dentes. A produção equilibra na perfeição a atmosfera cinematográfica que aprenderam a dominar em Hermitage com o peso visceral que o seu público exige.
Mapeamento da Jornada Sombria
O Equilíbrio da Maturidade
O álbum de 8 faixas é um exercício de contenção e explosão. Fernando Ribeiro, mais uma vez, demonstra uma capacidade camaleónica de transitar entre o sussurro contido — que nos atrai para o coração da melancolia — e o grito visceral, que nos relembra que esta é uma banda de Metal.
A guitarra apresenta um toque "lúdico" em momentos inesperados, uma evolução técnica que não retira a atitude sombria, mas confere ao disco uma textura muito mais rica. Não há aqui o perigo de "retrocesso"; este é um disco que entende que o Gótico não é apenas uma estética do passado, mas uma forma de sentir o mundo, mesmo quando o mundo hoje é mais cínico e moderno.
"Far From God é o disco que os fãs esperavam há anos: uma autêntica viagem pelo lado mais macabro e romântico dos Moonspell, sem nunca sacrificar a honestidade brutal do seu som metálico."
O Veredito Final
Far From God é um triunfo de atmosfera. É um disco que se sente tanto quanto se ouve. Com uma duração perfeita, sem preenchimentos, cada uma das 8 faixas é uma peça necessária neste mosaico de desolação e beleza. É um regresso triunfal para uma das bandas mais resilientes e inteligentes da cena internacional.
Nota: 9.2/10
Destaques: "Biblical", "Our Freedom to Fall", "Far From God".
Recomendado para: Fãs de Moonspell (era Wolfheart/Irreligious), entusiastas de Gothic Metal com peso e qualquer pessoa que aprecie música que consegue ser simultaneamente desoladora e contagiante.



