sábado, 7 de fevereiro de 2026

Soen - Reliance (2026) Suécia

A crítica atribui ao álbum "Reliance" dos Soen uma nota quase perfeita de 9.5/10, classificando-o como possivelmente o melhor trabalho da banda e um dos melhores discos de metal de 2026.

Veredito: 9.5/10 

A análise começa por sublinhar o peso filosófico do álbum. Thorley observa que, em 2026, nunca estivemos tão conectados tecnologicamente e, ao mesmo tempo, tão isolados, um tema que os Soen exploram com mestria. O disco é descrito como "provocador" e "profundamente instigante".

Análise das Faixas:

  • "Primal": A abertura é descrita como sombria, pesada e "eerie" (inquietante). A interpretação de Joel Ekelöf em frases como "we are breaking every chain" soa mais como uma "insistência desesperada" do que como um simples grito de guerra.

  • "Mercenary": Destaca-se pelo seu ritmo militarista, rígido e imponente, interrompido por um solo de guitarra massivo que surge de forma inesperada.

  • "Discordia": Comparo a desolação desta faixa ao som dos Katatonia, mas nota que os Soen elevam a composição a algo muito maior e mais imprevisível.

  • "Axis" e "Huntress": Estas faixas mostram uma versão mais direta e "afiada" da banda, afastando-se um pouco da indulgência progressiva habitual. "Huntress" é elogiada pela dinâmica quiet-verse/loud-chorus e pelos solos prontos para estádios.

  • "Unbound": Descrita como puro groove, uma música física e impossível de ignorar.

  • "Indifferent": É considerada a grande surpresa do álbum. Uma balada de piano "corajosa e devastadora" que expõe o medo do vazio emocional, contrastando com o peso do resto do disco.

  • "Drifter" e "Draconian": Thorley elogia o uso inteligente das teclas em "Drifter" e a capacidade de "Draconian" em criar melodias cativantes que, ainda assim, imploram por conexão humana em vez de conforto fácil.

  • "Vellichor" (Encerramento): Uma conclusão que habita nas sombras, sem resoluções fáceis, o que o crítico considera o final perfeito para um álbum tão complexo.

Conclusão:

Os Soen atingiram o seu auge criativo com este sétimo álbum. A produção e a entrega emocional fazem de "Reliance" uma obra que "se recusa a dar respostas fáceis" e que obriga o ouvinte a confrontar a sua própria mente.

Destaque final: "O sétimo álbum deles não é apenas o melhor deles, pode ser um dos melhores discos de metal que ouvirão este ano."

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Nite Stinger - What The Nite Is All About (2026) Brasil

Lançado em 23 de janeiro de 2026 pela editora alemã Pride & Joy Music, o segundo álbum dos paulistanos Nite Stinger, intitulado What The Nite Is All About, é um manifesto de que o Hard Rock "oitentista" brasileiro não só está vivo, como tem qualidade de exportação.

Após a excelente recepção da sua estreia em 2021, a banda — composta por Jack Fahrer (voz), Bento Mello (baixo), Ivan Landgraf e Bruno Marx (guitarras) e Leandro Araújo (bateria) — entrega um disco que é puro combustível para a vida noturna.

A Receita do "Sunset Strip" com Tempero Paulista

Se no primeiro álbum eles estabeleceram as bases, em What The Nite Is All About os Nite Stinger elevaram a fasquia. O som continua profundamente enraizado nos gigantes de Los Angeles (Mötley Crüe, Ratt, Dokken), mas com uma produção moderna e robusta que evita o som "datado".

  • As Guitarras: O trabalho de Ivan e Bruno é o grande motor do álbum. Há uma abundância de harmonias de guitarra e solos que evocam o espírito de George Lynch e Warren DeMartini.

  • A Voz de Jack Fahrer: Jack mantém-se como um dos grandes nomes do estilo no Brasil, com um timbre que mistura a atitude do Sleaze Rock com o controlo melódico do AOR.

Destaques das Faixas

  • "You Know Why": Uma abertura explosiva com um riff viciante e um coro feito para ser gritado em arenas. Define imediatamente o tom de "celebração" do disco.

  • "The Night Is Never Over": Com um toque escandinavo que lembra bandas como H.E.A.T ou Crazy Lixx, destaca-se pelas vozes de apoio (gang vocals) massivas e uma energia contagiante.

  • "Love & Freedom": O ritmo é mais denso, com um baixo pulsante de Bento Mello que remete levemente ao clássico "Balls to the Wall" dos Accept, mostrando um lado mais "heavy" da banda.

  • "What The Night Is All About": A faixa-título é um dos momentos mais aguardados, contando com a participação especial de Stevie Rachelle (vocalista dos Tuff). É rock de rua, sujo e divertido.

  • "All The Love That You Need": Ninguém faz um disco de Hard Rock sem uma balada "neon". Esta é uma power ballad clássica, repleta de nostalgia e emoção, onde o sintetizador e as guitarras melódicas brilham.

  • "High Above": Conta com o lendário Hugo Mariutti (Shaman/Viper), adicionando uma camada extra de classe ao trabalho de guitarras do disco.

O Veredito Final

What The Nite Is All About é uma vitória para o Hard Rock nacional. A banda conseguiu reunir convidados de peso e uma escrita de canções mais madura, sem perder a urgência e a rebeldia do género. É um álbum que não tenta reinventar a roda, mas que a faz girar a alta velocidade.

Embora o disco possa parecer familiar para quem viveu os anos 80, a execução é tão impecável que se torna impossível não se deixar contagiar. Se o objetivo era criar a banda sonora perfeita para uma noite de excessos e guitarras altas, os Nite Stinger atingiram o alvo em cheio.

Nota: 8.5/10

Destaques: "You Know Why", "The Night Is Never Over", "All The Love That You Need". Recomendado para: Fãs de Ratt, Dokken, Crazy Lixx e de qualquer pessoa que sinta falta de um bom "shredding" de guitarra acompanhado por refrões épicos.


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X-Sinner - Goin' Out With A Bang (2026) USA

Se existe uma banda que define o conceito de "se não está estragado, não consertes", essa banda são os X-Sinner. O seu novo álbum de 2026, intitulado significativamente Goin' Out With A Bang, é saudado como o "Regresso Hard Rock do Ano".

Aqui está a análise deste lançamento que prova que o rock clássico de alta voltagem nunca morre.

O Regresso dos "Filhos Espirituais" de AC/DC

Desde a sua estreia no final dos anos 80, os X-Sinner foram sempre comparados aos AC/DC (especialmente da era Back in Black). Em 2026, eles não tentam fugir dessa herança; pelo contrário, abraçam-na com uma produção moderna e uma energia que muitos grupos com metade da idade não conseguem replicar.

  • O Som: Imagine a precisão rítmica de Malcolm Young aliada à voz rouca e carismática que o género exige. O álbum é seco, direto e focado em riffs de guitarra que entram no cérebro e não saem.

  • A Produção: A crítica destaca que, apesar de soar "clássico", o disco tem um polimento de 2026 que faz as colunas tremerem. A bateria é massiva e as guitarras têm aquele estalido característico das válvulas a ferver.

O Veredito

Goin' Out With A Bang é o álbum que os fãs de Hard Rock tradicional estavam à espera. Os X-Sinner conseguiram a proeza de soar familiares sem parecerem uma mera cópia de si mesmos. É um disco cheio de ganchos melódicos, letras com mensagem e, acima de tudo, uma honestidade sonora rara nos dias de hoje.

Para mim, este não é apenas um bom álbum; é a prova de que a banda ainda é o "padrão ouro" do Hard Rock clássico dentro e fora do seu nicho original.

"Se este for realmente o último suspiro dos X-Sinner, então eles acabam de entregar a sua obra-prima definitiva."

Nota: 9.2/10

Recomendado para: Fãs de AC/DC, Krokus, Rhino Bucket e qualquer pessoa que aprecie Rock’n’Roll puro, duro e sem filtros.

Juniper Inc. - We Sold Our Souls For Rock'n'Roll (2026) Finlândia

A Finlândia é mundialmente famosa pelo seu Metal Sinfónico e Melancólico, mas os Juniper Inc. decidiram seguir um caminho diferente em 2026. Com o audacioso título We Sold Our Souls For Rock'n'Roll (uma piscadela de olho óbvia à compilação clássica dos Black Sabbath), esta banda traz de volta o Action Rock de alta octanagem, provando que o espírito de Detroit e Estocolmo está bem vivo nas terras do norte.

Lançado em janeiro de 2026, o álbum é uma bofetada de energia pura para quem sentia falta de rock honesto, suado e sem grandes artifícios tecnológicos.

O Som: Rock’n’Roll sem Filtros

Se as bandas anteriores que analisámos (como Kreator ou Megadeth) se focam na precisão cirúrgica, os Juniper Inc. focam-se na atitude. O som é uma mistura explosiva de The Hellacopters, Gluecifer e os primórdios dos The Stooges, com aquela pitada de melodia escandinava que torna tudo viciante.

  • Produção "In Your Face": O álbum evita a sobreprodução digital. As guitarras soam sujas, a bateria é orgânica e a voz tem aquela rouquidão de quem passou noites a fio em clubes de rock.

  • Energia Inesgotável: Não há grandes momentos de repouso aqui. O disco é curto, grosso e desenhado para ser ouvido no volume máximo.

O Diferencial Finlandês

O que separa os Juniper Inc. de outras bandas de rock retro é a honestidade. Em 2026, onde a inteligência artificial e a perfeição técnica dominam o mercado, ouvir um grupo de finlandeses a tocar como se a sua vida dependesse de três acordes e um amplificador de válvulas é revigorante.

O Veredito Final

We Sold Our Souls For Rock'n'Roll é um dos álbuns mais divertidos deste início de ano. Não tenta ser intelectual nem revolucionar o género; o seu único objetivo é fazer-te abanar a cabeça e recordar por que razão te apaixonaste pelo Rock em primeiro lugar.

É um disco que "bebe" do passado, mas que soa incrivelmente fresco no cenário atual. Se os Juniper Inc. realmente venderam a alma para fazer este disco, foi um excelente negócio para os ouvintes.

Nota: 8.5/10

Recomendado para: Fãs de The Hellacopters, Gluecifer, Turbonegro e qualquer pessoa que prefira guitarras altas a sintetizadores polidos.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Stormzone - Immortal Beloved (2026) UK

O oitavo álbum de estúdio dos norte-irlandeses Stormzone, intitulado Immortal Beloved, chegou em janeiro de 2026 marcando um retorno às origens — literalmente, já que a banda voltou a assinar com a editora Escape Music, a mesma que lançou a sua estreia há quase duas décadas.

Este é um disco de contrastes: começa com uma energia avassaladora, mas acaba por lutar contra a própria extensão.

O Regresso com Sangue Novo

Após uma pausa e mudanças significativas na formação, apenas o vocalista John "Harv" Harbinson e o guitarrista David Shields permanecem da formação original. A entrada de Shaun Nelson-Frame (que também produziu e misturou o disco) nas guitarras, juntamente com a secção rítmica dos irmãos Uhrin, trouxe um som mais robusto e "cheio", típico do Heavy Metal clássico britânico com nuances de Power Metal.

Sonoridade: Um Início de "Tirar o Fôlego"

O álbum começa de forma brilhante.

  • "Steel Meets Ice" e "Tyrannosaur": São descritas como faixas de ritmo acelerado e produção poderosa. Harbinson continua a mostrar que a sua voz é uma das mais fiáveis do género, entregando linhas vocais sólidas sobre uma muralha de som moderna.

O Desafio da Consistência

Onde o álbum parece "perder o gás" é na sua longevidade. Com 13 faixas, a análise aponta que o disco se torna um pouco unidimensional a partir da faixa-título.

  • Falta de Variedade: A crítica nota que, após o início explosivo, a banda cai num ritmo repetitivo. Embora faixas como "Stand In Line" tragam de volta o fulgor, o resto do álbum é visto como "mais do mesmo", faltando aquela faísca de inovação ou mudança de dinâmica que elevaria o Stormzone à "primeira divisão" do metal mundial.

  • Produção Impecável: Um ponto consensual é a qualidade sonora. Shaun Nelson-Frame fez um excelente trabalho na mistura, garantindo que o disco soe atual, pesado e nítido.

A Arte de Rodney Matthews

É impossível falar de Immortal Beloved sem mencionar a capa. Criada pelo lendário Rodney Matthews (Magnum, Diamond Head), a arte é descrita como um dos grandes atrativos do lançamento, especialmente para quem optar pela versão em vinil, capturando a essência mística e épica da banda.

O Veredito

Immortal Beloved é um passo em frente em relação ao anterior Ignite The Machine, mostrando uma banda mais coesa e com melhor produção. No entanto, peca pelo excesso de bagagem; se tivesse sido editado para 9 ou 10 faixas, seria um clássico instantâneo. Para os fãs de NWOBHM e Metal Melódico clássico (estilo Saxon ou Riot), continua a ser uma audição obrigatória, mesmo com os seus momentos de "piloto automático".

Nota: 7/10.

Destaques: "Steel Meets Ice", "Tyrannosaur", "Stand In Line". 

Recomendado para: Puristas do Heavy Metal britânico que valorizam produção cristalina e vozes melódicas potentes.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Death Dealer - Reign Of Steel (2026) USA

O regresso dos Death Dealer em 2026 com "Reign Of Steel" é exatamente o que se espera de um supergrupo composto por veteranos do Metal: um ataque frontal de Power e Speed Metal que não pede desculpa por ser barulhento, épico e tecnicamente avassalador.

O Supergrupo do Aço

Liderados pela voz estratosférica de Sean Peck (Cage, The Three Tremors) e pelas guitarras lendárias de Ross the Boss (ex-Manowar) e Stu Marshall (Night Legion), os Death Dealer mantêm a sua missão de preservar a chama do Heavy Metal tradicional. A adição de Mike LePond (Symphony X) no baixo e Steve Bollinee na bateria eleva a secção rítmica a um nível de precisão cirúrgica.

Sonoridade: Uma Parede de Som Implacável

O álbum é uma evolução natural de Conquered Lands, mas com uma produção que favorece ainda mais a agressividade das guitarras.

  • Vocal de Sean Peck: O homem continua a ser um fenómeno. Os seus agudos cortantes e a sua capacidade de alternar entre rosnados graves e gritos de "partir o vidro" são o motor dramático do disco.

  • Duelos de Guitarras: A química entre Ross e Stu é o ponto alto. Enquanto Ross traz o feeling e o peso do metal clássico, Stu injeta uma velocidade e tecnicismo modernos que tornam os solos de Reign Of Steel autênticos duelos de gladiadores.

Destaques das Faixas 

  • "The Heretic": Uma abertura furiosa que estabelece o tom do álbum. Velocidade pura e um refrão que fica gravado na memória logo à primeira audição.

  • "Vengeance Is Mine": Uma faixa que remete aos melhores tempos de Manowar, mas com uma dose extra de adrenalina. O trabalho de baixo de Mike LePond aqui é fenomenal.

  • "Steel Against Steel": O hino definitivo do álbum. É Power Metal de arena, feito para ser cantado a plenos pulmões, com uma cadência épica que prepara o ouvinte para a batalha.

  • "Wings of Fury": Destaca-se pela complexidade rítmica e pelas mudanças de tempo, mostrando que a banda não tem medo de flertar com o metal mais técnico.

O Veredito Final

Reign Of Steel não tenta reinventar o género; ele tenta dominá-lo. É um álbum feito para quem acha que o metal atual se tornou demasiado "limpo" ou moderado. Para o mim, este é um disco que "exala fumo e óleo de motor", mantendo a integridade do género intocada.

Embora o estilo vocal de Sean Peck possa ser intenso para ouvidos menos habituados ao Power Metal extremo, a qualidade instrumental é inquestionável. É, sem dúvida, um dos lançamentos de Heavy Metal mais sólidos de 2026.

Nota: 8.8/10 

Destaques: "The Heretic", "Steel Against Steel", "Vengeance Is Mine". 

Recomendado para: Fãs de Manowar, Judas Priest, Cage e qualquer pessoa que acredite que o Heavy Metal deve ser tocado a 11.


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