sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Paul Gilbert - WROC (2026) USA

O novo álbum de Paul Gilbert, intitulado WROC, foi lançado a 27 de fevereiro de 2026 pela Music Theories Recordings. O título é uma sigla para "Washington's Rules of Civility", e o disco é uma das propostas mais peculiares e criativas da vasta carreira do guitarrista.

O Conceito: Etiqueta do Século XVI e George Washington

Paul Gilbert é conhecido pelo seu lado excêntrico, mas WROC leva isso a um novo patamar. O álbum é um trabalho concetual baseado num guia de etiqueta do final dos anos 1500, que ficou famoso por ter sido copiado à mão por um jovem George Washington.

  • O Regresso da Voz: Este é o primeiro álbum de Gilbert com vocais desde I Can Destroy (2016). Paul utiliza as regras de conduta como base para as suas letras, fundindo o civismo histórico com o seu virtuosismo moderno.

Sonoridade: Melodias "Ouvidais" e Técnica de Elite

A crítica destaca que, embora o conceito seja "fora da caixa", a música é puro Paul Gilbert: técnica estonteante disfarçada de melodias viciantes.

  • Earworms Melódicos: Gilbert inspirou-se nas melodias simples das canções dos anos 60 que o fizeram pegar na guitarra. O resultado são temas que, mesmo com letras sobre comportamento social, ficam gravados na memória.

  • Fretwork Frenético: Não faltam as harmonias de guitarra clássicas, os solos que "fazem os cabelos do pescoço arrepiar" e a precisão rítmica que o tornou uma lenda nos Racer X e Mr. Big.

Destaques das Faixas

  • "Keep Your Feet Firm And Even": A abertura que estabelece o tom do disco. Apresenta solos gloriosos e linhas de guitarra harmonizadas que são a marca registada de Paul.

  • "Go Not Thither": Uma faixa de ritmo frenético que demonstra a capacidade da banda de Paul de "mudar de direção num segundo", passando de momentos calmos para velocidades alucinantes.

  • "Show Not Yourself Glad (At the Misfortune of Another)": Um exemplo perfeito de como Gilbert consegue transformar uma regra de conduta numa composição técnica mas melódica.

  • "If You Soak Bread in the Sauce": Uma das faixas mais peculiares, onde o humor de Paul brilha através da guitarra e da letra.

O Veredito Final

Paul Gilbert é descrito como sendo "mais doido que um esquilo", mas elogia a sua genialidade criativa. O álbum é visto como um presente para os fãs de longa data — um equilíbrio perfeito entre a loucura técnica e a beleza melódica. É um disco que energiza o ouvinte e reafirma Paul como um músico único no seu género.

Nota: 9/10

Destaques: "Keep Your Feet Firm and Even", "Go Not Thither", "Every Action Done in Company". 

Recomendado para: Fãs de Mr. Big, Joe Satriani, Steve Vai e qualquer pessoa que aprecie um guitarrista que não tem medo de ser estranho e brilhante ao mesmo tempo.


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Black Swan - Paralyzed (2026) USA

Lançado em fevereiro de 2026, "Paralyzed" é o terceiro capítulo da jornada dos Black Swan, o supergrupo que se recusa a ser apenas um "projeto de estúdio". Composto por figuras lendárias do Hard Rock — Robin McAuley (McAuley Schenker Group), Reb Beach (Winger, Whitesnake), Jeff Pilson (Foreigner, ex-Dokken) e Matt Starr (Ace Frehley, Mr. Big) — este álbum prova que a química entre estes quatro veteranos só melhora com o tempo.

Se o disco anterior, Generation Mind (2022), era uma ode ao Hard Rock clássico, Paralyzed traz uma sonoridade mais densa, sombria e tecnicamente mais desafiadora.

A Alquimia dos Mestres

O que torna os Black Swan especiais em 2026 é a sua capacidade de soar como uma banda de garagem faminta, mas com o polimento de décadas de arenas. Jeff Pilson, que assume novamente as rédeas da produção, criou um ambiente sonoro onde o baixo é uma força da natureza e a bateria de Matt Starr tem um impacto quase industrial.

  • Robin McAuley: É, genuinamente, um fenómeno da natureza. Aos 73 anos, a sua voz não mostra sinais de desgaste. Em Paralyzed, ele entrega algumas das suas performances mais agressivas, lembrando-nos por que é um dos vocalistas mais respeitados do género.

  • Reb Beach: Este é, possivelmente, o seu melhor trabalho de guitarra fora dos Winger. Os solos em faixas como "Snake Eyes" são autênticas aulas de técnica, fundindo o seu "tapping" caraterístico com um feeling bluesy muito profundo.

Análise das Faixas 

O crítico nota que o álbum demora um pouco a "arrancar" (as primeiras três músicas são singles de hard rock melódico padrão), mas atinge o seu auge a partir da quarta faixa:

  • "If I Was King": Descrita como tendo um "crunch" de hard rock moderno fantástico. Foi aqui que, para o crítico, o álbum realmente encontrou o seu ritmo.

  • "The Fire and the Flame": Comparada à música "Wings of the Storm" dos Whitesnake, devido à forma como o riff acelerado e os versos contidos se complementam.

  • "Carry On": Uma das faixas mais rápidas e poderosas do disco.

  • "Paralyzed": Um tema-título extremamente cativante.

  • "What the Future Holds": O encerramento, que traz uma vibração ao estilo de Bad Company, mas numa versão muito mais pesada.

Produção e Estética

A produção de Jeff Pilson em 2026 está mais equilibrada. Ele abandonou a compressão excessiva que alguns criticaram no primeiro álbum, permitindo que a dinâmica das músicas brilhe. Há um "ar" entre os instrumentos que faz com que as passagens mais pesadas soem ainda mais impactantes.

O Veredito Final

Paralyzed é o trabalho mais coeso dos Black Swan até à data. Eles deixaram de ser "quatro gajos famosos a tocar juntos" para se tornarem uma unidade com um som próprio: pesado, melódico e carregado de alma. É um álbum que honra o passado sem se tornar refém dele.

Nota: 9.1/10

Faixas Recomendadas: "If I Was King", "The Fire and the Flame", "Carry On".

Recomendado para: Fãs de Dokken (era Gold), Whitesnake, Winger, Michael Schenker Group e qualquer pessoa que aprecie Hard Rock de elite.


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Transatlantic Radio - Midnight Transmission (2026) Internacional

Se o Rock Melódico (AOR) tivesse uma frequência de rádio pirata a emitir diretamente de 1984 com a tecnologia de 2026, seria o projeto Transatlantic Radio. O álbum "Midnight Transmission", lançado em fevereiro de 2026, é o exemplo perfeito de como o "supergrupo" internacional (reunindo talentos da Suécia, Reino Unido e EUA) consegue capturar a nostalgia sem soar como uma peça de museu poeirenta.

Sonoridade: "Amor aos Anos 80, Energia de 2026"

A crítica destaca a dualidade do álbum: por um lado, há uma profunda melancolia e nostalgia associada à quietude da meia-noite (como o título sugere); por outro, é um disco extremamente dançável e "rockeiro".

  • Produção: Descrita como "cristalina", fundindo a sensibilidade europeia com a força do rock americano.

  • Influências: É uma "carta de amor" a gigantes como Foreigner, Toto, Danger Danger e Starship, mas foge ao cliché de ser apenas uma cópia do passado.

Destaques das Faixas 

  • "That’s What You Get (For Falling In Love)": A abertura "saltitante" com riffs contidos de Ronquillo que estabelece uma vibração de verão.

  • "City Of Angels": Um hino AOR puro que evoca o espírito de Van Halen (fase Why Can't This Be Love) com harmonias vocais de "janela aberta e cabelo ao vento".

  • "Wide Awake": O momento mais pesado do disco. Uma faixa com um coro de arena massivo e um solo convidado de Steve Brown (Trixter).

  • "Fever Dream": Onde o grupo mergulha no Soft Rock mais açucarado, mostrando versatilidade emocional.

  • "All For You" e "Against All The Odds": Baladas que, segundo a crítica, demonstram a profundidade emocional e o alcance vocal de Osbäck.

O Veredito

A crítica concorda que este não é apenas um projeto de estúdio, mas uma banda com química real. O álbum é descrito como essencial para os fãs que sentem falta dos grandes hinos de rádio dos anos 80, mas que exigem a qualidade de som das produções atuais.

Nota: 8.5/10 (pelo equilíbrio entre técnica e ganchos melódicos).

Destaques: "City Of Angels", "Wide Awake", "Radio Heart". 

Recomendado para: Fãs de The Night Flight Orchestra, Journey, Toto e puristas do AOR.


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Rozario - Northern Crusaders (2026) Noruega

Se o álbum de estreia, To The Gods We Swear (2023), foi o "cartão de visita" que colocou os noruegueses do Rozario no radar do Metal europeu, o seu novo trabalho de 2026, Northern Crusaders, é o grito de guerra que confirma a sua soberania.

Esqueça o Black Metal gelado por um momento; aqui, a Noruega entrega um Heavy Metal Melódico clássico, robusto e banhado a ouro, que soa como se os anos 80 tivessem sido congelados nos fiordes e descongelados agora com uma produção de última geração.

A Ascensão do "Novo Velho" Metal

Liderados pela voz potente de David Rosario e pela visão de composição de Stein Roger Sordal (conhecido pelo seu trabalho nos Green Carnation), os Rozario conseguiram o que poucos conseguem no seu segundo álbum: evoluir sem perder a crueza. Northern Crusaders é mais épico, mais pesado e, curiosamente, mais melódico do que o seu antecessor.

  • A Voz: David Rosario continua a ser a arma secreta. O seu timbre carrega a autoridade de Ronnie James Dio com a pujança de Jorn Lande. Em Northern Crusaders, ele parece mais confortável, explorando tanto graves dramáticos como agudos que cortam o ar.

  • A Produção: Sordal deu ao álbum um som "enorme". As guitarras têm um corpo massivo, mas há espaço para as orquestrações subtis que elevam o tema das cruzadas nórdicas a um nível cinematográfico.

Destaques das Faixas

  • "Fire And Ice": Descrita como uma "assalto nuclear" com riffs de guitarras gémeas galopantes e uma entrega vocal intensa de David Rosario.

  • "We Are One": Comparada ao som dos suecos H.E.A.T, é definida como um hino de metal escandinavo clássico, perfeito para levantar o punho no ar com um refrão cativante.

  • "Until The Gods Are Calling": Notada pela sua vibração que remete a Judas Priest e Dio, com riffs "sujos" e uma performance vocal dominante.

  • "Betrayed": O encerramento do álbum, que traz momentos de Blues misturados com o peso característico da banda, terminando o disco de forma sólida.

O Veredito Final

Northern Crusaders não é apenas um álbum de "Metal de nostalgia". É um disco de 2026 que entende que a força do Heavy Metal reside na sua capacidade de contar histórias grandiosas através de riffs inesquecíveis. Os Rozario provam que não precisam de ser "extremos" para serem poderosos.

Se há uma crítica a fazer, é que a banda é tão fiel aos cânones do género que raramente sai da sua zona de conforto. No entanto, quando a execução é tão impecável como esta, quem se importa com a inovação radical?

Nota: 8.7/10

Destaques: "Fire And Ice", "We Are One", "Until The Gods Are Calling", "Betrayed". 

Recomendado para: Fãs de Dio, Jorn, Iron Maiden e de qualquer pessoa que ache que o Metal deve ser heróico, pesado e cheio de melodia.


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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Austen Starr - I Am The Enemy (2026) USA

Lançado a 13 de fevereiro de 2026 (ontem!), o álbum de estreia da bostoniana Austen Starr, intitulado I Am The Enemy, é uma daquelas surpresas que a Frontiers Music Srl adora lançar: uma artista nova com uma voz poderosa, apoiada por um autêntico "esquadrão de elite" do rock melódico.

O "Dream Team" nos Bastidores

O que salta logo à vista (e ao ouvido) é a qualidade técnica. Austen Starr não está sozinha: o álbum foi coescrito e gravado com Joel Hoekstra (Whitesnake, TSO) nas guitarras, Chris Collier (Mick Mars) no baixo e bateria, e Steve Ferlazzo nas teclas. O resultado é um som polido, mas com "garra".

A Sonoridade: Entre o Pop-Punk e o Hard Rock

Austen Starr descreve-se como um "desastre ansioso", e essa honestidade transpira nas letras. Musicalmente, o álbum é um híbrido interessante:

  • Influências Modernas: Há ecos de The Warning, Halestorm e até uma pitada de Paramore na atitude.

  • Coração AOR: Graças a Hoekstra, as melodias são o prato principal. Há solos de guitarra que elevam as canções para além do rock de rádio convencional.

Destaques das Faixas

  • "I Am The Enemy" (Faixa-Título): É o momento mais "pop" e viciante do disco. Tem um refrão que fica colado à cabeça e explora a dicotomia interna da artista entre o medo e o desejo de ser uma estrela de rock.

  • "Read Your Mind": Uma das composições mais fortes, escrita em colaboração com Joel Hoekstra. Mostra o lado mais melódico e trabalhado da banda de suporte.

  • "Medusa": Uma canção que Austen escreveu quando era mais jovem e que serviu de "isca" para assinar com a editora. Tem uma energia crua e uma performance vocal cheia de personalidade.

  • "Remain Unseen": Mais pesada e sombria, com uma letra inspirada numa versão "adulta e sinistra" de Alice no País das Maravilhas. É aqui que vemos o potencial da Austen para o Metal Moderno.

O Veredito Final

I Am The Enemy é uma estreia sólida que tenta equilibrar dois mundos. Para os puristas do Hard Rock, pode soar por vezes "demasiado pop", mas para quem procura um Rock fresco, emocional e com excelentes solos de guitarra, é um dos discos mais divertidos de fevereiro de 2026.

A voz de Austen tem textura e alma, e a produção de Chris Collier garante que o disco soe "enorme". Não é apenas mais um lançamento de uma "nova cara"; é o início de uma carreira que promete muito.

Nota: 8/10

Destaques: "I Am The Enemy", "Read Your Mind", "Medusa".

Recomendado para: Fãs de Halestorm, The Pretty Reckless, Avril Lavigne (fase rock) e quem gosta do virtuosismo de Joel Hoekstra.


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