quinta-feira, 2 de julho de 2026

Wicked Dog - La Mola Mountain Rocks (2026) Espanha

Quando um trio encontra a sua identidade, o resultado é palpável. Vindo de Terrassa, Barcelona, os Wicked Dog não estão aqui para brincadeiras de estúdio. Com o seu novo álbum, La Mola Mountain Rocks (2026), o grupo espanhol solidifica uma trajetória que, desde 2017, tem sido marcada pela crueza do garage blues.

O título é um manifesto: La Mola é a icónica montanha que domina a paisagem de Terrassa, e este disco é o som dessa montanha a tremer sob o peso de amplificadores no máximo.

Avaliação: Wicked Dog – La Mola Mountain Rocks (2026)

A Trindade do Rock de Garagem

A química entre Alberto Corcoles (guitarra/vocal), Jesus Vallejo (baixo) e Daniel Baeza (bateria) atingiu aqui um nível de firmeza e segurança que faltava nos seus registos anteriores. O trio destila influências de titãs — a eletricidade dos ZZ Top, o peso visceral dos Motörhead e o groove clássico dos Led Zeppelin — e molda-as numa sonoridade que é, essencialmente, "amarga" e orgânica.

O Som da Montanha

La Mola Mountain Rocks é um disco de contrastes: tem a lama e a sujeira do Blues, mas a velocidade e a urgência do Punk. A produção não tenta polir as arestas; pelo contrário, realça o caráter "cru" que se tornou a marca registada da banda.

  • A Evolução: O álbum soa como uma banda que passou anos a abrir para gigantes (como Supersuckers e Wolfmother) e que aprendeu que, no palco, o que importa é a capacidade de agarrar o público pelo colarinho.

  • O "Círculo Perfeito": Como os próprios referem, lançar este disco enquanto tocam no festival da sua terra natal cria uma sensação de fechamento de ciclo. É música feita por quem conhece o seu solo, que respira o ar da sua montanha e que não precisa de fórmulas externas para soar autêntica.

Aspeto

Diagnóstico

Coesão

Trio altamente alinhado; a secção rítmica é uma rocha.

Identidade

O "Garage Blues amargo" é uma definição perfeita para o seu som.

Produção

Crua e honesta, capturando a energia de um concerto ao vivo.

Atitude

Direta, sem rodeios e imbuída de um orgulho local palpável.

Por que este álbum é relevante?

Em tempos onde o rock parece, por vezes, excessivamente produzido, os Wicked Dog relembram-nos a importância da simplicidade. Eles não procuram reinventar a roda, mas fazem-na rolar com uma força que é impossível de ignorar. É um álbum que soa a ensaio, a suor e a cerveja; um disco que se sente em casa num clube lotado ou num festival ao ar livre.

"La Mola Mountain Rocks é a prova de que a identidade de uma banda está intrinsecamente ligada às suas raízes. É um álbum que cheira a terra, a montanha e a amplificadores a arder. É o som de um trio que sabe exatamente quem é e para onde vai."

O Veredito Final

La Mola Mountain Rocks é um triunfo de tenacidade. Os Wicked Dog entregam um trabalho que não se perde em complexidades inúteis, apostando tudo numa entrega crua e honesta. Se procuras um disco que não tenta ser outra coisa senão Rock 'n' Roll puro, feito com o coração, este é um lançamento obrigatório para 2026.

Nota: 8.4/10

Destaques: A crueza das guitarras, a precisão rítmica e a atitude "amarga" de Alberto Corcoles.

Recomendado para: Fãs de ZZ Top, Motörhead, Supersuckers e qualquer pessoa que aprecie Rock 'n' Roll sem filtros.


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Moonspell - Far From God (2026) Portugal

Cinco anos após o introspectivo Hermitage, os Moonspell regressam com Far From God (2026), um álbum que não só marca um retorno às raízes góticas da banda, como reconfigura o seu ADN para uma era mais madura e sofisticada. Longe de ser um exercício de nostalgia fácil, este novo trabalho é uma colisão entre o romantismo sombrio do "gótico vintage" e a agressividade metálica que sempre foi a espinha dorsal dos portugueses.

Avaliação: Moonspell – Far From God (2026)

A Escuridão como Atmosfera, o Metal como Força

O que separa Far From God de outras incursões pelo Rock Gótico é a recusa da banda em suavizar as arestas. Enquanto nomes como HIM ou Sentenced (numa fase posterior) caminharam para um som mais comercial e polido, os Moonspell mantêm a faca entre os dentes. A produção equilibra na perfeição a atmosfera cinematográfica que aprenderam a dominar em Hermitage com o peso visceral que o seu público exige.

Mapeamento da Jornada Sombria

Faixa

Atmosfera / Estilo

Destaque

"Cross Your Heart"

Gótico Convidativo

O impulso inicial, energético e moderno.

"Biblical"

Sombria/Cinematográfica

O baixo dominante e a progressão para a agressividade visceral.

"For the Love of Mortals"

Romântica/Melancólica

Onde o anseio e os sussurros criam o ambiente gótico puro.

"Our Freedom to Fall"

Crua/Vibrante

A mudança de ritmo que eleva a atitude sombria a um nível impactante.

"Far From God"

Sombria/Cativante

O tema central que sintetiza o equilíbrio entre o "pesado" e o "obscuro".

O Equilíbrio da Maturidade

O álbum de 8 faixas é um exercício de contenção e explosão. Fernando Ribeiro, mais uma vez, demonstra uma capacidade camaleónica de transitar entre o sussurro contido — que nos atrai para o coração da melancolia — e o grito visceral, que nos relembra que esta é uma banda de Metal.

A guitarra apresenta um toque "lúdico" em momentos inesperados, uma evolução técnica que não retira a atitude sombria, mas confere ao disco uma textura muito mais rica. Não há aqui o perigo de "retrocesso"; este é um disco que entende que o Gótico não é apenas uma estética do passado, mas uma forma de sentir o mundo, mesmo quando o mundo hoje é mais cínico e moderno.

"Far From God é o disco que os fãs esperavam há anos: uma autêntica viagem pelo lado mais macabro e romântico dos Moonspell, sem nunca sacrificar a honestidade brutal do seu som metálico."

O Veredito Final

Far From God é um triunfo de atmosfera. É um disco que se sente tanto quanto se ouve. Com uma duração perfeita, sem preenchimentos, cada uma das 8 faixas é uma peça necessária neste mosaico de desolação e beleza. É um regresso triunfal para uma das bandas mais resilientes e inteligentes da cena internacional.

Nota: 9.2/10

Destaques: "Biblical", "Our Freedom to Fall", "Far From God".

Recomendado para: Fãs de Moonspell (era Wolfheart/Irreligious), entusiastas de Gothic Metal com peso e qualquer pessoa que aprecie música que consegue ser simultaneamente desoladora e contagiante.


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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Deep Purple - Splat! (2026) UK

Os Deep Purple são, por definição, uma anomalia na história da música. Enquanto a maioria das bandas da sua geração se transformou em peças de museu, os britânicos insistem em ser uma unidade de combate criativo. Com SPLAT! (2026), o seu 24º álbum de estúdio, a banda atinge a impressionante marca de quatro discos em apenas seis anos — uma cadência de trabalho que faria corar muitos artistas com metade da sua idade.

A colaboração com o produtor Bob Ezrin provou ser um casamento perfeito, refinando a banda para um estado de elegância e economia que, longe de os limitar, os libertou para serem mais diretos e letais.

Avaliação: Deep Purple – SPLAT! (2026)

A Economia da Maestria

O grande triunfo de SPLAT! é a sua concisão. Num mercado onde o "prog" muitas vezes se traduz em excesso, o Purple opta pela precisão cirúrgica. Nenhuma das 13 faixas ultrapassa os cinco minutos, mas cada uma delas é uma lição de arranjo. A banda encontrou uma forma de destilar a sua grandiosidade épica num formato de "single" clássico, onde a improvisação não é um fim, mas um recurso estilístico inserido no calor do momento.

O Diálogo entre McBride e Airey

A chegada de Simon McBride foi o catalisador de uma nova energia, e em SPLAT! a química com Don Airey é deslumbrante. As trocas de solos não parecem um duelo de egos, mas uma conversa cúmplice.

  • Don Airey: O mestre continua a dominar o Hammond, mas a sua incursão em pianos jazzísticos ("The Beating of Wings") e sintetizadores ("Sacred Land") mostra que, aos 78 anos, ele ainda está a expandir o seu vocabulário.

  • Simon McBride: O guitarrista consolidou-se. Ele traz a "mordida" necessária para que temas como "Arrogant Boy" e "Third Call" soem modernos sem trair a linhagem histórica do grupo.

Mapeamento da Intensidade

Faixa

Vibe / Estilo

O que esperar

"Arrogant Boy"

Hard Rock Ágil

Onde McBride e Airey brilham num duelo de solos.

"The Beating of Wings"

Sofisticada/Jazz

Destaque para os solos de piano de Airey.

"Third Call"

Vibrante

A prova de que Ian Paice mantém a intensidade de 1970.

"Guilt Trippin'"

Progressiva/Hard

Uma mistura de Hammond clássico com a nova faceta jazzística.

"Scriblin' Gib'rish"

Experimental

Onde os sintetizadores levam o Purple a territórios progressivos.

O Fator "Mark II"

A resiliência de Ian Gillan, Roger Glover e Ian Paice é o coração emocional do álbum. Ver Gillan aos 80 anos, ainda audaz e cheio de insinuações, e Paice a tocar como se estivesse a defender a sua vida, é um lembrete daquela "magia" que muitas vezes tentamos explicar com teoria, mas que só se entende ao sentir o pulso da bateria. SPLAT! soa, em muitos momentos, como um "In Rock" ou "Fireball" destilado e otimizado para o século XXI.

"SPLAT! não é o álbum de uma banda que está a tentar recuperar a glória; é o álbum de uma banda que ainda está a escrever o seu futuro. É compacto, é progressivo, é puro Deep Purple."

O Veredito Final

SPLAT! é a prova cabal de que a criatividade não tem prazo de validade. Ao abraçar a brevidade, o Deep Purple conseguiu criar um dos discos mais coesos e dinâmicos da sua discografia recente. McBride encaixou-se como uma luva, e a lenda continua a evoluir, provando que o Hard Rock, quando bem temperado com progressividade e audácia, ainda tem muito a dizer.

Nota: 8.8/10

Destaques: "Third Call", "Arrogant Boy", "Guilt Trippin'".

Recomendado para: Fãs de longa data, entusiastas de guitarras e teclados que buscam técnica sem desperdício e qualquer pessoa que aprecie a longevidade artística sem estagnação.


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terça-feira, 30 de junho de 2026

Child - Rebirth (2026) Austrália

O Rock de três peças, quando executado com a crueza e a autoridade dos Child, não precisa de reinventar a roda; ele precisa apenas de a fazer girar com uma força imparável. Com Rebirth (2026), o trio de Melbourne reafirma que o Blues-Rock pesado não é um artefacto do passado, mas uma linguagem viva, densa e perigosamente viciante.

Este não é um álbum de clichês para animar festas; é um mergulho profundo num pântano sónico onde o riff é rei e a autenticidade é a única lei.

Avaliação: Child – Rebirth (2026)

A Filosofia do "Menos é Mais"

A premissa é simples: conectar os instrumentos, subir o volume ao máximo e confiar plenamente no poder de um bom riff. Mathias Northway e a sua banda dominam a arte da "divagação coesa" — a capacidade de permitir que uma música se expanda e explore novos territórios sem nunca perder o fio à meada ou a força motriz.

Mapeamento da Densidade Sónica

Faixa

Estilo/Vibe

Destaque

"Woman Like You"

Blues-Rock Puro

O momento em que Northway declara a sua paixão pelo género.

"Forgot How To Love"

Pesado/Pantanal

Texturas densas que lembram a era Wiseblood dos Corrosion Of Conformity.

"Heavy Loud"

Southern/Atemporal

Uma canção que soa como um clássico redescoberto.

"Damned Heart"

Focada em Riffs

Onde o talento de Northway como guitarrista e vocalista brilha.

"I Tried (Newy)"

Acústica/Cuidada

A prova de que a melodia pode ser tão impactante quanto o volume.

"Cold Shoulder"

Triunfante

A mudança de ritmo demonstra uma confiança absoluta da banda.

A Voz de quem viveu a história

O talento de Mathias Northway é um dos grandes trunfos de Rebirth. Não é uma voz "escrita" ou ensaiada; é uma voz "conquistada". Ele canta com aquela qualidade vivida que torna cada verso impossível de ignorar. Quando ele assume o microfone, sentes que cada palavra foi retirada de um lugar real, de uma experiência carregada de peso.

A produção do álbum é magnética. O trio consegue criar um som que é, simultaneamente, pesado, sujo e incrivelmente denso. Se "Heavy Loud" é Southern Rock, é um Southern Rock que se libertou de qualquer geografia específica para se tornar algo atemporal. E "I Tried (Newy)", com o seu início acústico, demonstra uma maturidade rara: a compreensão de que diminuir o ritmo é, por vezes, a forma mais eficaz de mostrar força.

"Rebirth não procura ser inovador. Ele procura ser essencial. É a prova cabal de que, na música, poucas coisas superam o poder de uma banda de três integrantes que conhece perfeitamente o seu ofício."

O Veredito Final

Rebirth é um álbum que nos lembra por que nos apaixonámos pelo Rock. É uma obra que não se preocupa com o que está na moda ou com o que as novas tendências ditam; preocupa-se apenas em entregar música com alma, suor e uma solidez inabalável. Os Child entregaram, sem sombra de dúvida, uma das bandas sonoras mais honestas e poderosas do ano.

Nota: 9.0/10

Destaques: "Heavy Loud", "Damned Heart", "Forgot How To Love".

Recomendado para: Fãs de Corrosion Of Conformity, Rival Sons, Clutch e qualquer um que prefira o Blues-Rock no seu estado mais pesado, denso e glorioso.


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domingo, 28 de junho de 2026

Amberian Dawn - Temptation’s Gate (2026) Finlândia

A trajetória dos finlandeses dos Amberian Dawn é uma jornada de reinvenção constante. Após duas décadas de estrada, a banda parece ter encontrado, com o lançamento de Temptation’s Gate (2026), um novo equilíbrio. Se o período recente da banda foi marcado por uma incursão mais pop, este novo álbum surge como um "retorno às raízes" sinfónicas, mas com um instrumento novo e poderoso ao leme: a vocalista Nicole Willerton.

Avaliação: Amberian Dawn – Temptation’s Gate (2026)

O Triunfo de Nicole Willerton

A transição para Nicole Willerton não é apenas uma mudança de vocalista; é uma mudança de paradigma. Onde a banda dependia anteriormente da técnica operística imponente, Nicole traz uma abordagem de mezzo-soprano que prioriza a expressividade, a fluidez e uma naturalidade dramática. Ela não se limita a atingir notas altas; ela "interpreta" a música. A sua versatilidade — que vai desde a delicadeza atmosférica até um uso surpreendente de guturais em "Unchained" — confere aos Amberian Dawn uma faceta mais feroz e, simultaneamente, mais humana.

Paisagens Sonoras Escandinavas

O álbum é um tributo à "atmosfera gélida" do Metal finlandês. Os teclados, que emulam a neve e a grandiosidade épica, continuam a ser a espinha dorsal do som da banda. O produtor acertou ao colocar os teclados sinfónicos e cinematográficos em diálogo constante com as guitarras. Embora o álbum não se pretenda "inovador" — ele habita confortavelmente o território do Power Metal sinfónico clássico — a execução é impecável.

Mapeamento dos Destaques

Faixa

Atmosfera / Estilo

O que torna especial

"Temptation's Gate"

Épica/Cinematográfica

A introdução perfeita para a nova era com Nicole.

"The Vision Of Dreaming"

Melancólica

Foca no drama vocal sem precisar de excessos técnicos.

"Unchained"

Pesada/Moderna

A grande surpresa: o uso de guturais e uma agressividade inédita.

"Eternal Flame"

Power Metal Clássico

Riffs neoclássicos que fazem lembrar a era de ouro do género.

"Undying Colours"

Balada Atmosférica

O brilho do timbre de Nicole sobre texturas de teclado estilo anos 80.

"Phantasmagoria"

Pop-Metal/Drama

Um encerramento divertido que justifica a veia pop da banda.

Reflexões sobre a Evolução

Temptation’s Gate não tenta reinventar a roda, mas sim polir uma roda que já conhecemos bem. Enquanto alguns fãs poderão sentir falta da grandiosidade operística dos primeiros álbuns de Heidi Parviainen, a maioria encontrará aqui um conjunto mais consistente e emocionalmente direto. A banda consegue navegar entre o Power Metal mais rápido ("Life Is Art") e baladas etéreas sem perder a identidade.

"Nicole Willerton não é apenas uma adição à banda; ela é a âncora que faltava. Em Temptation’s Gate, a banda prova que o Power Metal sinfónico, quando executado com convicção e bom gosto, continua a ser uma das experiências auditivas mais ricas do espectro metálico."

O Veredito Final

Temptation’s Gate é um retorno triunfal. É um álbum que honra a linhagem finlandesa do género, ao mesmo tempo que abre portas para uma modernidade mais densa e variada. Pode não ter a "surpresa" de um lançamento experimental, mas compensa com uma produção irrepreensível, uma vocalista extraordinária e um conjunto de músicas que, se não reinventam o género, o honram com distinção e paixão.

Nota: 8.5/10

Destaques: "Temptation's Gate", "Unchained", "Eternal Flame".

Recomendado para: Fãs de Nightwish (fase Floor Jansen), Kamelot, Stratovarius e entusiastas de Metal Sinfónico que valorizam a versatilidade vocal e arranjos atmosféricos.


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