
Carmine Appice é uma daquelas forças da natureza que parecem ignorar o conceito de "reforma". Em 2026, ele prova que os Cactus continuam a ser o "Led Zeppelin da classe operária" com o lançamento de Temple Of Blues II (Cleopatra Records).
Se o primeiro volume já era uma celebração, esta sequela é um verdadeiro festival de superestrelas, onde o Hard Rock rústico da banda se funde com os clássicos do Blues num abraço de distorção e groove.
O Poder das Colaborações
Não é todos os dias que vemos um alinhamento que junta Steve Morse, Joe Lynn Turner, Billy Sheehan e Dee Snider no mesmo projeto. O mérito de Appice é conseguir que estes titãs não se sobreponham à alma da banda. A produção é robusta, destacando a bateria lendária de Carmine, que continua a ditar as regras do ritmo com uma autoridade inquestionável.
O Destaque: "Bad Stuff"
Originalmente lançada em 1972 no álbum 'Ot n' Sweaty, "Bad Stuff" recebe aqui uma injeção de adrenalina. A escolha de Joe Lynn Turner para os vocais foi um golpe de mestre; a sua voz tem a textura perfeita para o Rock influenciado pelo Blues. Junte-se a isso o virtuosismo técnico de Steve Morse e a precisão de Derek Sherinian nos teclados, e temos uma versão que não só respeita o original, como o eleva a novos patamares de energia.
Mapeamento das Colaborações
O Momento Emotivo: A Despedida de Melanie
Um dos pontos mais altos — e tocantes — do álbum é a versão de "Purple Haze" com os vocais de Melanie, gravados antes do seu falecimento em 2024. A ligação histórica entre Melanie e Carmine (ambos tocaram no Festival da Ilha de Wight em 1970) confere à faixa uma aura de reverência. É um tributo magnífico a uma voz que marcou uma era.
O Veredito Final
Temple Of Blues II é um álbum obrigatório para quem gosta de Rock com "cheiro a válvulas e suor". Apesar da quantidade massiva de convidados, o disco soa coeso. A inclusão de sete clássicos de Dixon/Wolf garante o pedigree de Blues, enquanto a faixa bónus do CD, "Feel So Good" (com Tommy Thayer e Britt Lightning), fecha o pacote com um brilho adicional de Hard Rock clássico.
Nota: 8.5/10
"Carmine Appice não está apenas a tocar Blues; ele está a levar os Cactus a um templo onde o volume está sempre no 11. É um disco vibrante, histórico e, acima de tudo, divertido."
Destaques: "Bad Stuff", "Back Door Man", "Purple Haze".
Recomendado para: Fãs de Cream, Led Zeppelin, Vanilla Fudge e de qualquer pessoa que queira ouvir como se faz Rock 'n' Roll com pedigree.
amazon. Cactus - Temple Of Blues II
Temas:
01. Back Door Man Pt. 1 & 2 (feat. Eric Gales & Billy Sheehan)
02. 300 Pounds Of Joy (feat. Ty Tabor)
03. Moanin' At Midnight (feat. Pat Travers)
04. Down In The Bottom (feat. Dug Pinnick)
05. Token Chokin' (feat. Bumblefoot)
06. Bad Stuff (feat. Steve Morse, Joe Lynn Turner, D. Sherinian & Tony Franklin)
07. Tail Dragger (feat. Rudy Sarzo & Alex Skolnick)
08. The Little Red Rooster (feat. Dee Snider, Tracii Guns, Jimmy Haslip)
09. Purple Haze (feat. Melanie)
10. Spoonful (feat. Ted Nugent & Bob Daisley)
11. Feel So Good (feat. Billy Sheehan & Britt Lightning)
Banda:
Jimmy Kunes - vocals, 2006-present
Jim McCarty - guitar, 1970-71, 2006-present
Pete Bremy - bass
Carmine Appice - drums
Sem comentários:
Enviar um comentário