ÉPICO!!! assim começa a nova "Magnum Opus" dos americanos Dream Theater. Uma intro prog neoclássica com coros épicos "à lá Hollywood" saído de um filme de Tim Burton, e dividida em 3 partes. Valerá a pena apresentações? Pelo respeito que tenho por todos vós, não vou fazê-lo porque se existem bandas que vão perdurar durante a caminhada da humanidade, definitivamente que DT são uma delas.
"The Enemy Inside" é um tipico tema DT da 1ª fase, mas sem o ambiente dos teclados, mais duro. Algo que perdura pelo disco é realmente o misturar dos ambientes criados pelos teclados com o restante instrumental deixando as criações mais directas; e novidade também é a guitarra mais suja e HardRocker de John Petrucci e as variantes de cordas executadas por Jordan Rudess.
DT, como sempre em busca do futuro, juntam a sua génese com novos territórios como o hardrock sujo deixando um novo perfume de reinvenção. Desta vez todos os músicos sobressaem quer em protagonismo quer na exposição da sua arte colectiva. O baixo de John Myung; apesar de estarmos a falar de coisas diferentes; não consigo deixar de pensar no modo em como toma conta dos temas tal qual Joey DeMaio nos Manowar, terrivelmente fabulosa a sua prestação. Se alguém tinha dúvidas sobre Mike Mangini, pois aqui está a resposta aos mais cépticos, Mike Portnoy está esquecido, Mangini está à altura e neste disco acompanha o "mais além" dos DT. Sobre James, só espero que a natural evolução do frágil ser humano chegue muito tarde para a sua voz, sempre acima. De Petrucci, não sei que mais poderá ele alcançar, mas haverá sempre alguma coisa, porque ele já atingiu o topo dos topos, o trabalho de guitarra aqui é a prova das sua versatilidade cósmica. E já agora, Jordan Rudess, um autêntico maestro; impulsionador com as suas melodias e ritmos, ainda mais, riffs eléctricos que saem dos seus teclados.
Dissertar aqui sobre pormenores técnicos e intrincados de elaboração é o mesmo que tirar a beleza ao quadro explicando as tintas, os pontos luz, a perspectiva,... perder-se-ia toda a lucidez do sonho.
A maior parte dos temas varia entre os 4 e os 7 minutos, exceptuando o 1º e o último, este com 22 min. e 5 secções, imagem de marca de DT.
O som deste disco é outra novidade, muitas camadas e compacto, extremamente processado e produzido e que consegue revelar sem se esconder atrás do véu, a união entre o clássico DT e o futuro DT, aquilo que nos fez apaixonar pela música desta banda e aquilo que nos levará na contínua e obcecada paixão pela mesma.
Prog é isto mesmo, procurar novos territórios levando consigo o essêncial para fazer a viagem de descobertas, levar o que já existe em busca do novo. Esta é a derradeira banda sonora que nos impulsiona a procurar novos baldios na complexidade ds nossas mentes para além das fronteiras conhecidas. Aqui conseguimos encontrar e distinguir cristalinamente uma variedade enorme de estilos e formas musicais desde o neo clássico, ao psicadélico, do metal pesado ao clássico e erudito, etc... São ambientes cinematográficos, que nos fazem sonhar e sucumbir ao poder da razão da nossa inconsciência. Poucas são as "bandas sonoras" que têm esse efeito sobre mim, mas quando o conseguem, são mais eficazes que qualquer alucinogéneo.
Pink Floyd representou algo de poderoso para uma geração, e Dream Theater pegou no testemunho e elevou-o ainda mais, quem e o quê, virá a seguir?
Este é um disco magistral de uma troupe de músicos sobre quem podemos dizer com toda a convicção que são os Mozart e os Beethoven do nosso tempo, e isto é uma afirmação sem qualquer pretensão ou falsa modéstia, é uma realidade universal, PODEROSO como a força divina!